Placebo

Posted on 12. fev, 2010 by Fábio Bioca in Poesia

Súbito momento para tal fraqueza.
Tive a sensação de desfalecer.
Levantei o queixo, reduzi o passo
e fechei os olhos pra me reaver.
Quando a escuridão inundou-me as pálpebras
e a respiração parecia um fim,
No cafeinado bronze anoitecido,
descobri tua pele, recordei teu riso…
E quase chorei quando voltei a mim.

Então, recobrado, ainda ofegante,
desviei o rumo de onde ia, ali.
Contornei a praça, o estacionamento
e segui em frente, até quando te vi.
Esqueci de tudo, afastei o medo
e abri os meus braços como um beija-flor.
Franco e seduzido, expus um sorriso
quase transparente, claro e decidido,
te envolvi em abraços, senti teu calor.

Caminhei na chuva, desenhei na areia
Faltei ao trabalho, desejei bom dia.
Viajei por horas, esqueci do almoço.
Olhei para o nada e conversei comigo.

Confessei-me a paz de me sonhar contigo.
Admiti sentir no peito um alvoroço.
E concluí que toda minha fantasia
Foi um mal-estar ao conceber-te alheia.

Já não vejo a hora de voltar pra perto
De sentir calor, de braços abertos…
Francamente, ali, vendo teu sorriso,
Anoiteço os olhos em qualquer deserto.
Sem sentir o frio do amanhã incerto,
Pois teu colo agora é o que eu preciso.

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