Art. 168

Posted on 10. dez, 2015 by Fábio Bioca in Poesia

cabana_pequena

Juro que um dia eu cometo o perdoável crime de te roubar pra sempre.

E me embrenhar pelos campos da paixão insana
pra ser feliz bem longe…
Onde não haja nada, nadinha mais
além da luz dos teus olhos,
a carne dos teus lábios
e a sumo da tua saliva,
em qualquer cabaninha
sem caixa de correspondência.

Onde possamos correr na chuva,
tomar banho de rio e nos secarmos ao sol que,
na contraluz, revela a sensualidade invisível do pólen.

Onde possamos dançar na varanda,
nos calar agarrados na rede
e contar vagalumes até se apagarem no sono.

E, ao acordarmos, nunca mais sintamos
o medo de desatarmos os dedos.
Nem a dor de suspirarmos sem ar
pra preencher o vazio da saudade no peito.

Então, o amanhã será pra sempre hoje.
Todo tempo caberá na palma das nossas mãos.
E este será o meio da nossa história sem fim.

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