Toada da bateira

Posted on 23. mar, 2017 by Fábio Bioca in Poesia

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Em cada servidão pequeninha, nas casinhas dos açores,
dorme a falta de alguém, que estando longe hoje sofre
de dor de saudade da terra, da ilha, da brisa do mar
onde banhou suas queixas, seus sonhos, seus amores…

Há os que lembram de escadas, que inventam ruas nos morros
ou da Figueira frondosa, mãe-rainha sobre a praça.
Do dominó na Felipe, delícias da vida à toa
e do Mercado amarelo, rico de dramas e graças,
do chopp, do pirão de peixe, do samba, da bossa, do choro…
Do por do sol mais perfeito em Santo Antonio de Lisboa.

Há os que vieram de perto, de longe, de além-mar
e aos poucos, manezinhos, de alma repatriada,
aprendem o gosto da vida, o dialeto, a paixão.
Descobrem-se gente feliz, que chora pra fazer piada.
Conquistados por esta terra que vieram conquistar,
copiam o sorriso do rosto de quem nasceu neste chão.

São tantas belezas daqui: o povo, a comida, a poesia,
a vista do Morro da Cruz, a Lagoa da Conceição,
o canal, o Santinho, as tarrafas, a alegria do Boi de Mamão,
a toada de cada bateira, que embala esta minha canção.
Nenhum oceano no mundo, balneou melhor maresia
que as ondas da minha Floripa. Esta ilha é o meu coração.

Fotos: acervo www.instagram/fabiobioca

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