Propensão

Posted on 27. mar, 2017 by Fábio Bioca in Poesia

propensaoBok

Da lembrança latejas viva, um pulso, interminável.
Colossal tempestade elétrica em noite de céu vazio.
Repulsas, ressaca inédita deste oceano de estrelas.
Um doce-amargo maltado de impulsos que nem bebi.

Veneram-te mariposas em mil carrosséis de fótons.
E os sussurros, indultados, aliciam as intenções,
despidos de quaisquer escrúpulos, não de carinhos, mas dúbios.
Me embalo de olhos fechados, em semibreves daí
que te desenham em penumbra na minha mente, aqui…
A um braço, dois, três beijos, um abraço e, enfim,
um verso, mas nenhum destes dos quais então me desfaço…
Daqueles mudos, voláteis, húmidos, livres de mim,
que entre as bocas, sem espaço,
escorrem ao pescoço, no impasse
de encher as planícies com estrofes
até encharcar os jardins.

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