Mátria

Posted on 09. mai, 2018 by Fábio Bioca in Poesia

pena_web

Quisera ter teu ombro hoje, a meio palmo.
Quiçá teu colo me fosse melhor pousada.
Tuas mãos aparando meu rosto
ou o abrigo de um abraço de ninho.
Meramente não dizer nada por horas.
Colar meu ouvido em teu peito
e dormir entre o arfar e o desencher.
Quem sabe, te ouvir sussurrar, aerada,
qualquer canção inédita, só minha.
Quisera ter parado o tempo, infantino,
para nunca ter crescido dali…
quando fomos centro mútuo das atenções:
você, a pátria primaz do meu mundo
e eu, para sempre, teu menino.

Dedico a todas as mães, especialmente à minha mãe Aure.

Comments are closed.