Sobre Fábio Bioca

Nascido em Curitiba, em maio de 1973, passei boa parte da infância em São Mateus do Sul, no sul do Paraná, onde meu pai fundou e dirigiu um orfanato. Por isso, tive uma infinidade de irmãos e amigos que me fizeram companhia nas horas que passávamos empoleirados comendo frutas em pés de pêra, “mimosas” – as tangerinas, pêssegos e uva-do-japão, após a saída da escola.

Essa riqueza nos relacionamentos e nos tantos assuntos que permeavam os anseios e frustrações de cada história emocionante dos tantos meninos, me fez apaixonar por observar o comportamento alheio e tentar prever as ações e reações individuais e em grupo. Assim, das centenas de histórias verídicas que testemunhei, surgiu uma infinidade de novelas recheadas de dramas e comédias que povoam minha memória até hoje.

O fascínio pelas letras foi bastante precoce. Aos 4 anos, meus pais me presentearam com dois livros: “Trombão, Trombada e Serelepe” e “O Caranguejo Bola“, de Virgínia Lefèvre e Maria Lúcia Amaral, respectivamente. Numa determinada tarde, enquanto caminhava, puxado pela mão da minha mãe, insistindo em torcer o pescoço fiz uma leitura silábica de um palavrão pixado em um muro. Após o susto, minha mãe se deu conta de que eu havia aprendido a ler quase espontâneamente, entre uma leitura e outra dos caranguejo, elefante, tamanduá e esquilo.

A partir daí, a facilidade com a expressão escrita me permitiu acesso a muitos lugares e situações que se confundem com a minha própria biografia.

Dentre as escolas que colaboraram para minha formação, lembro-me bem do tempo de estudante no Colégio Martinus, quando recebi atenção e um impulso para valorizar a expressão artística, nas aulas de música e poesia, ministradas pela professora Noemi ao piano; da mesma forma, onde tudo começou, na Escola Arlete Neves Schram (Dona Titina), com a professora Ivete; na Escola Estadual João Turin, Novo Ateneu, Bom Jesus, Erasto Gaertner, Colégio Catarinense, IEE – Florianópolis, FAE, PUC-PR e Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Sem dúvida, muita gente colaborou para o meu aprendizado. Espero corresponder um dia.

Atualmente, moro em Florianópolis, Santa Catarina, onde atuo como profissional de comunicação e empresário. Casado, com dois filhos, tenho me engajado em projetos que ressaltem o valor da música, poesia, fotografia, em ações de resgate social e em viver um pouco melhor, simplificando as ambições, como me ensinou o mestre Carlos Burke.

Cristão convicto, franco e algumas vezes polêmico, cultivo uma vida simples, objetiva e construída a passos firmes e exaustivos, como as madrugadas insones que me servem de leito para acomodar idéias, imagens, sons e outras sensações neste universo do qual não me aproprio, mas me sinto o síndico. Permito-me viajar por lugares onde vivi e onde jamais plantei os pés, experimentando sensações próprias e alheias através da permissividade da imaginação. Não me preocupo muito com opiniões (nem a minha, muitas vezes) e escrevo aquilo que me vem à mente. Na maioria das vezes, o tempo é a única coisa implacável que evito desperdirçar. Invisto em usá-lo para me divertir e aliviar as tensões da realidade extrema quando me vejo estranho, obstinado, incansável até que expresse alguns pensamentos óbvios impregnados de tramas e fiapos inexplicáveis. E assim, minha hora insone não passa no vazio do ócio, mas produz coisas boas e medíocres que não poluem, nem machucam. Apenas expressam um pouco daquilo que vejo, sinto e sonho.